24.4.16

RESENHA: QUERIDO JAIME - EDUARDO LAGES

Título: Querido Jaime
Autor: Eduardo Lages
Editora: Independente
Número de páginas: 80
Assunto: Literatura nacional - Ficção
Comprar: Mercado Livre, Amazon (e-book) ou entrar em contato com o autor. 
Sinopse

Jaime é um homem solitário de 72 anos que se sente oprimido pelo vazio de sua casa. Infelizmente ele também não gosta muito de sair e ver o mundo. No dia em que é forçado a deixar seu lar, o inesperado acontece e o idoso é lançado em uma jornada de autoconhecimento onde o palco é a selvagem cidade de São Paulo.

Resenha

Conheci esse livro através de um post do autor em um grupo de leitores do Facebook. No post havia uma foto dele vendendo o livro na rua, achei interessante a ideia, curti a capa, li a sinopse e decidi pedir parceria. 
O livro chegou aqui em casa em menos de uma semana. Com dedicatória e um marcador lindo!

  

Li o livro em algumas horas, é bem curtinho e leve de ser lido, prende muito sua atenção.

O livro conta a história do Jaime, um idoso de 72 anos  — que me lembra muito meu avô. Sério, gente, se vocês já tiveram ou têm avô, vão se lembrar dele com toda certeza ao ler esse livro — O Jaime é um típico senhor de idade. Daquele que ainda se acha jovem e disposto pra fazer qualquer coisa:"Garantia que ainda tinha bons músculos, e que podia ser pedreiro quando sua casa precisasse de um reparo". É de estatura mediana, tem cabelos grisalhos. Se enche de orgulho ao dizer que na sua casa tem de tudo — mesmo não tendo — Tem gostos característicos de alguém da terceira idade. Como por exemplo ouvir o noticiário na rádio para saber a previsão do tempo ou se o seu time ganhou enquanto faz o seu cafézinho, coleciona coisas antigas, tendo como exemplo o seu rádio a válvula que tem há mais de 40 anos, santinhos de porcelana, moedas de cruzeiro, etc.

Jaime mora sozinho. É obrigado a conviver com o silêncio e o ar de solidão que as paredes brancas da casa o trazem. Ele não gosta de sair, mas sai eventualmente — nos dias de pagamento da sua aposentadoria — E  é aí onde nossa história começa. Num dia em que Jaime vai ao banco pegar seu pagamento.

Nosso protagonista vai de ônibus ao banco. Se depara com o coletivo lotado de pessoas de mau humor, ou com sono. Duas pessoas que eu não posso deixar de mencionar são o jovem de 16 anos, que finge estar dormindo num banco de idosos para não dar o lugar para o velho e uma figura muito comum nas ruas: um fanático escandaloso religioso.

Jaime chega ao banco, enfrenta uma fila enorme, e se depara com mais uma figura: uma criança mimada. Chega ser engraçado os pensamentos do velho! ele apelida a criança de "Nosso senhor Jesus Cristo", por fazer o que quiser, gritar, espernear e a mãe não fazer nada a respeito disso.

Depois de pegar o seu dinheiro, acontece algo com o Jaime — que seria spoiler se eu contasse — mas posso dizer que isso o deixa mal e desamparado no meio da cidade de São Paulo. Ele fica de mãos atadas. Se vê numa situação horrível e não vê como sair de tal. Jaime recebe a ajuda de um morador de rua, que se torna seu amigo. Ele conhece um pouco sobre a história do Morador de rua, e sente na pele todo o preconceito que a sociedade tem com essas pessoas.

Depois desse dia conturbado que Jaime teve, ele reflete sobre sua vida, sobre "problemas" dos quais ele fingia não se importar mais, deixa de lado o orgulho que tem durante anos e vai atrás de algumas pessoas importantes na sua vida.

Esse livro me fez refletir muito, em várias situações; Nos mostra que ser uma pessoa orgulhosa não vale a pena, que o tempo é algo muito valioso para se perder com brigas bobas. Que a vida é muito curta para viver longe daqueles que amamos. Um dia pode ser tarde demais para voltar atrás.

Amei as críticas que o livro traz, vou citar algumas aqui embaixo: ALERTA DE SPOILER

  1. O modo como o idoso é tratado na sociedade;
  2. Pseudo-religiosos pregando a palavra de Deus  ódio gratuito nas ruas. No ônibus o religioso julga pessoas que frequentam bares, boates funk, casa da sem vergonhice gay boates LGBT, e homossexuais com aquele velho papo de que "Deus fez Adão e Eva, não Adão e Adão";
  3. A necessidade que faz com que crianças se envolvam em crimes. "Haviam 3 garotos logo atrás, a uns 5 metros de distância. As idades deviam variar entre 11 e 14 anos. Tinham algum tipo de fome e urgência no olhar";
  4. O perigo que é reagir a um assalto;
  5. O modo como os moradores de rua são tratados: como nada, como seres invisíveis, que não têm sentimentos;
  6. Crianças mimadas;
Gostei muito do livro, a única queixa que tenho, é que foi muito curto. As páginas se acabam e você nem percebe. Gostaria muito que fosse mais estendido.

Resenha por: Márlon Oliveira

5 comentários

  1. Me parece um livro bem "real" e interessante. Fiquei bem curiosa pelo personagem e sua história.
    boa semana :)

    Red Behavior

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  2. Oi, achei um livro bem realista e interessante, que deve ser lido como forma de reflexão sobre a vida, o mundo e a velhice, já que é tratado como tabu na sociedade não falar sobre velhice e o que vem junto com ele. Acho que adoraria ler esse livro, pois aprecio muito ler livros que me faz refletir e pensar um pouco na vida e nas minhas atitudes. Adorei a resenha.
    bjus

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  3. Legal a realidade que o livro passa pois temos muitas coisas que relatam jovens mas não velhos e sim, eles passam coisas diversas na sociedade mesmo. Até tudo o que você relatou e sempre são alvo de gente que não entende este contexto!

    Beijos,

    Greice Negrini

    Blogando Livros
    www.amigasemulheres.com

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  4. Olá Márlon!
    Que livro interessante. O autor transportou a nossa realidade para as páginas. Vejo isso todos os dias na rua, no trabalho, no ônibus. As pessoas só estão pensando em si e deixando o seu próximo de lado. Temos que mudar a visão desse mundo. Se não vamos só afundar.
    Adorei a sua resenha.
    Beijinhos!

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  5. Me parece um livro bem "real" e interessante. Fiquei bem curiosa pelo personagem e sua história. Vou procurar o autor para fazer parceria.

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Muito obrigada pela visita, espero que tenha gostado!
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